Deitado sobre as curvas de uma dupla de orelhões, ele se refrescava tomando sol e chupando gelo, que tirava de uma bacia, encaixada no ferro que sustentava tudo aquilo, na qual mergulhava também suas duas nádegas. A água só cobria o umbigo, quando os orelhões balançavam ao vento.

Ninguém se sentia à vontade para ligar.

Quando gelo chegava no tamanho ideal ele o tirava da boca e acertava, com perfeita pontaria, rolinhas que descansavam na alta tensão.

De repente, sai da casa a sua frente, uma magriça de skate, posicionada para uma descida suicída naquela ladeira longa, longa, de paralelepípedos irregulares. Ele a observava de um lugar privilegiado.

A magriça corajosamente ganhou velocidade trepidante e na terceira jarda caiu de cara e foi rolando ate lá embaixo. A cada toque no concreto perdia um naco de carne, ou de cabelo, ou de tecido, dependendo da parte que estava virada pra baixo naquele momento.

Ele a observava de um lugar privilegiado.

Terninho, que fazia um churrasco em sua casa, cujo quintal fazia imediata fronteira com o final da ladeira, achou que aquele pedaço de alcatra que caiu do céu, fosse um presente divino.

– Altas carnes!

Salgou e se assustou com o skate que veio logo em seguida. Tá!

Olhou pro skate, olhou pra alcatra, altas carnes. Associou primitivamente algumas três idéias e abandonou o churrasco. Ganhou a rua, skate por baixo e foi deslizando pelo asfalto liso até a praia de itacoatiara, distante que era alguns 30 km de sua casa amarela.

Rolamento gringo, impulso, impulso, impulso, velocidade, vento no rosto, impulso, impulso impulso, velocidade, vento no rosto, Terninho chegara na praia depois de 3 horas de pura suavidade.

– Altas carnes, altas carnes.

Repetia até agora, justificando sua associação, ao dirigir-se para as meninas de bikini.

– Altas carnes, altas carnes.

Não é que de repente, sente gelada na nuca, uma dor pontiaguda de quem tomou um cubo de gelo em velocidade.

Olhou para trás e viu um cara deitado sobre as curvas de uma dupla de orelhões, tomando sol e chupando gelo, que tirava de uma bacia, encaixada no ferro que sustentava tudo aquilo, na qual mergulhava também suas duas nádegas. A água só cobria o umbigo, quando os orelhões balançavam ao vento.

O cara o observava de um lugar privilegiado e com perfeita pontaria acertara-lhe outro projétil gelado no olho.

Acorda.