Garotão curtindo a rodinha de violão na sala. Festinha de uma namorada de um amigo seu.

Uma menina legal na direita, um sentimento bom na esquerda, uma idéia legal na ponta passada, um sonzinho de viola amanteigando o ambiente, aconchego, nuances, penumbras, detalhes no escuro. Luz fraquinha, a íris abertona dos seus olhos buscam as imagens no semi-breu.

“Que coisa linda essa noite”.

Ele suspira, olha pro lado e FLÓSH!!

Alguém tira uma foto dele com um flash MEGAMASTER.

Boca aberta retornando do choque, olho frito dando telecoteco, sorri sem graça, meio puto, meio pôxa e comenta com leve amargor, repreendendo um certo descuido alheio:

– Fotão, hein, gente fina? … Arrebentou. Tirou na hora certa….

Deu mais um tempinho, o olho direito caiu carbonizado igual uma azeitona no seu colo. E ele remeteu:

– Podia ter avisado.

Passa o tempo, ninguém parece se importar muito, nem ele parece se importar muito, afinal já perdeu as vistas mesmo e o texto é tão livre que ele não sente dor alguma. O jeito agora é se adaptar. E mete mais forte um pouco:

– Espero que imprima em braile essa porra dessa foto.

Já em outro momento, na varanda, pergunta pruma planta perfumada:

-Tudo bem? Você sabe quem é o babaca que tá tirando foto com flash megamaster nessa festa?

– …

– Oi?

Mais na frente, acompanha aquilo que soa como um casal conversando na cozinha. Comenta na pausa:

– Vocês estão vendo alguma coisa, ou não?

– Âh?

– Vocês não estão vendo tudo preto, não?

O casal sonoriza que saiu fora.

– Tá foda.