Desapega porque não vai rolar mais. Acabou. Solta essa marmota. Deixa subir. Esquece o assunto. Parte para outra. Chora, esperneia, morde o travesseiro, dorme na base do calmante. Treme. Let it be.

– Ah, mas ela era tudo prá mim…

Morreu prá você. Tá em outra, docinho prá cá, delícia prá lá… Atura.

– Ah, mas eu não acabei de pagar ainda…

Tá indo no reboque, foi perda total, você não tem seguro, ficou paralítico, só te resta arrumar um qualquer no Lei Seca. Ultrapassa que nada disso tem volta.

– Ah, mas agora outro show só no ano que vem…

Bebeu demais, passou mal, não viu porra nenhuma, foi parar na enfermaria porque misturou tequila, caipirinha e cerveja tudo comprado ali nos camelôs da Lapa… Deixa parar de rodar e reza pra estar todo mundo vivo no ano que vem, porque do jeito que você bebe mal, pode complicar. E vai dormir.

– Ah, mas eu nem acabei de construir o meu Ego ainda…

Infelizmente, a esta altura, já está na hora de começar a desconstruir.

– Ah, mas eu era tão bonitinha…

Passou, já era, não volta mais. Passa o fio dental enquanto pode.

Enfim, aceita. Essa perda, essa dor, essa revolta, essa rasteira.

Desapega.