Bota a mão no bolso. Não tá nesse. Então vai no outro bolso.

Achou. Era isso aí que você precisava achar.

É o quê, isso? Eu não sei, porque estou escrevendo aqui de longe, de antes do achado, e o seu bolso é seu. Certo, não vou saber o que é, mas não importa, pra falar a verdade. Presta atenção no que é importante da mensagem: o bolso é um dispositivo de armazenagem rápida, ligeira. E surpreendente.

Dependendo do dono do bolso, ele pode ser um dispositivo de armazenagem prolongada. E um belo dia, dependendo, depois de dias sem lavagem, você mete a mão no bolso e pula um dinheiro. Pula um extrato do Visa e você lembra do cartão de crédito. Caralho, lembrança pra baixo. Mas pode ser boa, porque lembrar das coisas difíceis é parte da solução.

Mas do bolso pode pular um dinheiro. E ele é novo, é grátis. Não tava mais no teu orçamento, tava perdido. E agora é seu de novo. Ou então sai do bolso um anel, de casamento, ou um anel de formatura e você lembra que a universidade foi legal. Ou sai do bolso uma foto da primeira vez que você tirou foto em máquinas automáticas de 3X4. Porra. Vai lavar pouco essa calça lá em Iguaba, meu velho, minha velha.

A mensagem do bolso é ventura, é ele que vai trazer. Não tá com roupa que tenha bolso, vai na máquina de lavar nesse minuto. Tá amarrotado, rodando e tá lá dentro pra você pegar. Molhou um pouquinho, mas o que é isso perto do tamanho da cabeça do Rei D. João VI? Nadinha.

Vai no bolso, que ali dentro mora o susto. E é seu.